
5/05/2013 @ 21:27
De alguma forma eu tento me encontrar em suas palavras, porque não restou mais nenhum lugar para mim. Porque dizem que somos um pouco de cada pessoa que encontramos nos corredores do prédio chamado vida, e quando eu te olho e te enxergo, eu vejo que sou mais que um pouco de você, sou parte sua, parte dos seus compreendimentos sobre o mundo e assim como parte de suas filosofias. Então, eu me convenço que sou você. Passo a acreditar que este mundo não está perdido, porque você está nele e nossa loucura se completa. Eu sei que sou tão ingenua por acreditar em algo assim, mas algumas poucas vezes, eu preciso ser um pouco rasa pra conter neste recipiente chamado planeta Terra. E eu não posso terminar de concluir estes pensamentos a cerca de suas palavras, porque eu não quero que minhas palavras cheguem a um fim, então eu paro sem um ponto final,
Sophia de Andrade

5/05/2013 @ 17:43
Sobre estes teus olhos
Teus olhos cansados e cheios de mistério depositaram-se em meu corpo, como se você nunca tivesse me visto. Instalara-se ali um súbito desejo de me possuir em seus braços e mãos, pernas e abraço, apenas o desejo da carne. A alma é exorcizada daquele momento de disritmia. É expulsa, ignorada e jogada fora. Apenas o corpo, a ideia de uma beleza exposta e escancaradamente sem nenhum mistério. Só o corpo. Pernas. Braços. Barriga. Seios. Partes externas. Apenas minha suave e doce pele despertava nele aquele olhar. E teus olhos não mais eram cansados e misteriosos, seus olhos eram os milhares de olhos que me olhavam e instalavam em si o desejo súbito.
Não era o que queria ou que procurava em um outro alguém. Eu só queria me afogar na profundidade daqueles olhos e desvendar seus mistérios que outrora existiram ali.
Então, ele me perguntou se eu estava bem, de imediato respondi que sim, não havia outra resposta e ele também sabia. O silêncio entre nos dois era ensurdecedor. Eu estava cansada de todos aqueles encontros e despedidas, só queria que aquele momento passasse rápido e que outro momento daquele não chegasse logo.
As ruas pelas quais atravessamos, fez que chegássemos ali e isto deveria significar alguma coisa, mas não significava. Ele parou de me olhar e fitou o chão como se já estivesse cansado também desses encontros da vida. Aqueles instantes pareceram séculos. Enfim, chegaram ao fim
Apenas aqueles segundos de embaraços tiveram o seu ponto final. Porque algo parecia querer que estivéssemos em repleta reticencias…
Foi assim que descobri que ele sabia o que pensava, porque ele também estava cansado da relações instantâneas, que não duram cerca de 3 a 5 minutos. Onde a felicidade é só a ilusão de ser ter alguém e de se dizer ser de alguém.
Mas não foi assim que a história continuou, depois daqueles estranhos minutos em que trocamos olhares e eu relutava em escapar daquele lugar, eu pude aprender que deveria ter mais fé nos outros, que nem todos olham com esse olhar das paixões instantâneas. Entretanto, a continuação da nossa história não aconteceu, mas sei que quando acontecer, será mais que uma história e sei que não vou conta-la, porque cansei de contar péssimas histórias sobre sentimentos de mentira. Porque não há mais fé nas pessoas, e seus olhos cansados e de mistérios, não existem.
Sophia de Andrade

5/05/2013 @ 16:45
Eu me enrolo nas palavras. Não sei se você sabe como é, aposto que não. Na verdade, eu não aposto nada. Não me importo com você, há um tempo não me importo com a existência farjuta deste mundo ou de qualquer outro. É tudo uma perda de tempo. Mas pra que precisamos de tempo se tudo já está perdido e não há mais nada a se fazer? Queremos apenas prolongar as horas, os minutos e segundos de puro ócio. Pra quê? Para nos matarmos neste silêncio de palavras e gestos, para morremos. Ta vendo, como eu me embolo nas palavras? Não sei dizer com exatidão. Talvez eu queira confundir. Talvez eu queira dizer as minhas profundezas que tanto me sufocam. Talvez eu não tenha nada para dizer e digo, só para quebrar este silêncio e delicadamente enforca-me em minhas próprias frases sem sentido. Que aos poucos degolam-me até o ar desaparecer, até a morte chegar e levar todo o tempo consigo. Trazendo para mim a eternidade do escuro e sufoco. Estrangulo-me devagar… Faltar o ar… As palavras… Enfim, chega-se o fim.
SOPHIA DE ANDRADE

5/05/2013 @ 16:45
Último adeus
Ele disse que eu não podia desistir, que largar esta vida seria tolice minha. Mas ele não sabia que eu já havia pensado nisso várias vezes. Há 6 anos eu penso em desistir desta minha vida. Tenho meu direito e por mais que digam que farei falta, eu sei que não pertenço a este mundo. Talvez eu não sinta nada, talvez doa um pouco, mas eu sei que não me machucará tanto como estou machucada agora. Não aguento mais levantar da cama e sorrir para as pessoas. Eu só quero chorar e depois disso morrer. Então, você não pode me dizer que eu tenho que ficar por qualquer motivo que seja relevante para você. Você não pode me pedir isso, entende? Eu fui um erro. Sempre um erro. Cada palavra, cada gesto meu. Eu gosto do estrago, porque eu mesma sou um grande estrago. Pedaços do que restou da minha alma circulam por ai, enquanto eu respiro e aguento mais um dia. Então, não me peça para ficar, eu não posso, eu não quero.
Fui embora, puxei o gatilho com a coragem que criei e nunca imaginei que teria. Deixei-o ali, olhando para o que restou, sentindo um terço de toda a minha dor. Eu simplesmente desisti da minha inútil resistência em existir.
Sophia de Andrade

7/04/2013 @ 23:54
De joelhos
O que faltava em mim era um pouco de fé. Mas eu nunca acreditei. Acreditar em algo que não fosse eu ou que fosse a minha verdade nunca fez sentido pra mim. Eu sabia que a perfeição estava nas coisas simples, naquele momento o Deus, criado por aqueles que precisam de um deus, era a simplicidade que eu precisava. Me ajoelhei ao lado da minha cama e comecei baixinho: “Deus, não acredito em você, mas sei que preciso acreditar, porque me sinto fraca, me sinto perdida, tudo em mim está uma confusão. Preciso acreditar que a sua lei irá me trazer paz, irá fazer com que o aperto no meu peito se vá, tirando de mim o medo e os anseios. Deus, entrego a ti as minhas certezas e culpo a mim mesma por todas as minhas ações, mas enquanto o tenho para preencher este espaço vazio, tenho a paz. Perdoe-me por pensar apenas em mim, mas sei que possui a sabedoria de quem perdoa aqueles precisam do perdão. Eu não preciso de aceitação ou perdão. Mas preciso acreditar em você, porque isto me faz mais forte, e você está para aqueles que precisam. Agradeço pela paciência e espero dormir esta noite, espero fechar os olhos e encontrar a paz em algum sonho. Amém”
De joelhos eu me levantei e deitei na cama, horas se passaram, o sono não viera, só havia dor, confusão, meu lençol assim como eu molhado de suor. Deus não me ouvia, mas eu falava com ele de novo até adormecer.
SOPHIA DE ANDRADE

4/04/2013 @ 22:42
DESPIR
Ela me chamou para o seu quarto, eu não entendi o porquê. Sempre quis conhece-la, mas nunca tive coragem. Sabe quando você se acostuma com pessoas rasas? Ela era o oposto e eu tinha medo de me afogar, de mergulhar na sua imensidão e não saber mais como sair dali. Mantive-me afastado, eu gostava do jeito dela, mas tinha as outras garotas, onde tudo era mais fácil.
Meu passado havia sido sombrio, eu ainda estava preso a ele, apesar de tentar todas as maneiras para fugir dele e de alguma forma, eu tinha ela ali na minha frente. Todo o seu corpo me chamava atenção, seus seios chamavam certa atenção pelo tamanho, eram intactos, cheios vida. Ela era magra, tinha a pele branca que contrastava com a sua blusa azul marinho. Suas pernas eram bem delineadas, e seu glúteo, assim como seus seios, se destacava. Tudo tão delicadamente.
Mas o que me chamava atenção era a ternura dos seus olhos, a forma como ela sorria com eles, como eles se encolhiam e ganhavam vida. Seus cabelos negros contrastavam com a sua pele e aquilo tudo parecia tão perfeito. Eu não podia parar de encara-la. Ela fazia o mesmo, me olhava com tamanha intensidade, que sentia meu corpo estremecer, algo em mim ganhava volume.
Nós entramos no quarto, ela não disse nada. Me empurrou com certa brutalidade na cama e ficou de pé diante de mim. Ela começou a dizer algo com a sua voz doce e delicada: “Eu também me sinto assustada assim como você, mas sabe, é preciso ter coragem para tomar decisões estúpidas e fazer coisas mais estúpidas como farei agora.” Ela pausou a sua fala e tirava o seu cinto, ela olhava para baixo e tinha certa dificuldade, então olhou pra mim e voltou com o seu discurso: “Eu nunca me mostrei assim pra ninguém, as pessoas não entendem, não querem perder o seu precioso tempo, não tem calma, mas quem sou eu para falar de calma? Não posso esperar mais um minuto sem você.”
Eu não acreditava naquilo, estava de boca aberta, eu sabia que deveria fazer algo, mas fiquei olhando e esperando ela terminar o seu monologo: “Talvez eu me arrependa, do que farei, mas eu acredito que você pode ser mais do que parece, que você pode ser alguém sombrio assim como eu. Algo mais profundo do que o raso do seu sorriso.” Eu via a pele da sua barriga, branca, lisa, perfeita… Lentamente, ela tirava a sua blusa e eu podia vê-la como ninguém jamais teria visto. “Se for muito para você, eu preciso saber agora. Talvez eu seja muito para você, porque dentro de mim há muito o que os olhos não podem ver. Eu quero que você veja isto agora.”
Ela tirava o seu short, eu podia ver as suas coxas brancas, elas estavam ali paradas em minha frente e eu não conseguia me mover. De repente, ela estava despida e livre. Eu podia ver algo nela, eu conseguia ver o que ela queria. Não era um corpo, não era a nudez, não era o sensual. Não era nada daquilo. Eu conseguia ver a sua alma. Conseguir ver nela aquelas coisas obscuras e sombrias que ela tanto sentia e dizia, eu sabia que ali na minha frente, eu via a minha própria alma fria implorando por socorro. Fui toca-la e ela disse: “Não toque com suas mãos sujas a minha alma”.
Acordei. Eu estava suado, todo o meu corpo estava molhado. Eu não toquei-a, e aquilo era o que eu mais queria. Toca-la. Senti-la. Enquanto, eu só sentia a minha excitação e o meu medo de não acordar para realidade e ter coragem para chama-la e despirmo-nos nossas almas e quem sabe juntarmo-nos. Enfim, emanamo-nos amor.
SOPHIA DE ANDRADE

3/04/2013 @ 22:10
Primeiro ato: a decisão da morte
Hoje eu decidi morrer. Há um tempo eu venho pensando nisso, pensando em como o mundo seria melhor sem mim. Então, eu abri meus olhos, com certa dificuldade eu admito, mas consegui abri-los e nesse instante pensei que aquele poderia ser meu último dia, a partir dali eu não mais precisaria pensar, falar, respirar e de certa forma, não haveria mais pessoas. Sorri levemente, aquela ideia me deixava feliz. Havia algum tempo que eu não sorria assim, marotamente, eu sorria com um esforço, doía por dentro, doía a alma, mas eu sorria para as pessoas, porque afinal a maior mentira do mundo era jorrada pela minha boca: tudo está bem.
Fiquei deitado cerca de uma hora, não tinha forças para levantar, até que eu decidi apressar os fatos. Calcei meu chinelo velho, direcionei-me a cozinha, fiz algum barulho com as panelas e preparei um café. Não saiu bom, nunca saiu bom. Era sempre o amargo que eu sentia e nele fazia algum sentido: não mais querer viver. Depois de algum tempo perdido naquelas reflexões, decidi tomar um banho quente, até a minha pele queimar, não doeu, mas nada mais doía em mim. Eu tinha ficado insensível. Era o que todos diziam.
Apressei-me a ir ao meu trabalho, não sabia porquê eu tinha que ir ali, talvez eu devesse dar um ultimo adeus, mas ninguém ia se importar, talvez nem fossem ao meu funeral, talvez dissessem: ele era um bom cara. Pois, é isso que dizem quando você morre, que você era bom.
Eu nunca fui bom, nem pra mim mesmo. Sempre fui egoísta, sempre olhei apenas para meu umbigo, mas não era assim que as coisas seguiam por ali? E eu não achava ruim, gostava de mim assim. Com a minha arrogância, com a minha capacidade de pensar além, de fazer tudo sempre a um passo a frente de todos, eu era assim, e gostava de ser assim. Não queria mudar, não queria ser um cara melhor, não queria um mundo melhor. Eu só queria viver a porra da minha vida e sentir tudo intensamente. Até o dia em que eu não senti mais. A dor de não sentir que em mim se instalou, serviu para que eu sentisse um aperto no meu peito, um falta de ar e principalmente, a falta da vontade de viver
Sai satisfeito, e me dirigi para o bar mais próximo para planejar a minha morte. Era a minha última cerveja, meu ultimo gole. Eu estava feliz, talvez se existisse vida após a morte, o que eu mais sentiria era a falta de estar alcoolizado e poder ter a percepção da vida por um novo ângulo. Enquanto, eu bebia rapidamente a minha cerveja, de repente, uma moça sorriu pra mim.
Eu já estava cansado desses sorrisos, que vem e devoram a minha alma e de repente vão embora, deixando um grande vazio. Eu já estava cansado, me entreguei tantas vezes que já não podia e já não queria sentir mais nada. Eu me recusava a me apaixonar mais uma vez. Porém, esta moça era diferente, tinha um olhar tênue, seus cabelos castanhos se balançavam, ela veio em minha direção e disse oi.
A partir daquele momento e daquele dia, eu decidi que não queria mais morrer, porque eu precisava acordar todas as manhãs para ouvir aquele oi, para sorrir com aquele sorriso e me encantar com aqueles olhos. Mas já era tarde, eu já tinha chamado à morte e já tinha lhe dado um beijo e não sabia disso. Eu queria viver, mas já era tarde.
Sempre é tarde, o tempo passa e quando percebemos não dá para voltar atrás. É hora de dizer adeus, de fechar os olhos e deixar os seus pensamentos flutuarem em direção ao nada. É hora de morrer mais uma vez, não será a primeira vez que morri de amor, não será a última.
SOPHIA DE ANDRADE

22/03/2013 @ 22:11
Sobre loucura, frequências e outras coisas.
“O problema de ser intenso é que você sente muito mais do que pode entender. Muito mais. Isto machuca e traz aquele aperto no peito. Não há como escapar disso, a não ser quando você finalmente para de sentir e só o vazio te preenche. Não sei o que é pior, não há meio termos. Ou é quente ou é frio. Tudo dói, enquanto tudo deveria ser bom, calmo e de alguma forma deveria haver paz. Mas, eu, pequeno imortal, não pertenço a este mundo, a estas pessoas. Há um desajuste em mim que me faz ser diferente e ser diferente nesse caso não é bom, nem um pouco. Pessoas possuem frequências, pessoas normais tem a sua perfeita frequência e sua frequência sempre é compatível com outra frequência. Pessoas estranhas como eu, não possuem frequência, definição, paciência, tempo ou limite. Somos do acaso, do que vier e nossa loucura é intensa. Somos uma bagunça, não nos entendemos, mas esperamos que um dia, encontremos alguém assim diferente, com uma loucura intensamente parecida e que de alguma forma nossas frequências se cruzem. Sem que ninguém se machuque. Havendo assim, harmonia e paz.”
Sophia de Andrade

22/03/2013 @ 22:09
ENTRE RISOS
Eu sei que hoje será uma daquelas noites em que meus olhos não pararão de jorrar água. Porque há dor em todo o meu ser, em cada partícula que em mim se encontra. Dor nada mais é, algo que te enche de agonia e quando você não mais a suporta, você grita e espera que o mundo te escute. Ninguém o escuta, porque aqui e agora só há o silêncio, aquele friozinho e a solidão.
Enquanto pela minha face escorre um gosto salgado que contrapõem todo o amargo que sinto em minha vida. Quando a minha alma dilacerada embriaga os meus pensamentos e não posso mais sentir o meu corpo, nem sequer um arranhão ou um arrepio. Sinto-me fragmentada assim como se toda célula que há em mim se partisse ao meio e por fim, nada mais existisse.
Essa é uma daquelas noites que não dá pra dormir porque minha cabeça está cheia demais, em que toda a minha reflexão está designada nos meus próprios questionamentos sobre o meu ser e a sua inútil existência, sobre o desperdício que há em perder mais uma noite de sono, esta não é a primeira e não será a última, em que deito-me sozinha em minha cama e deságuo sobre meu travesseiro toda dor do meu peito que escondo entre risos e vos digo que está tudo bem.
SOPHIA DE ANDRADE